Como um projeto pode te ensinar tanto e como ele pode mudar o rumo da sua vida? Vou te contar tudo nesse post. O Trilhos Independentes foi uma viagem transformadora!

 

O PROJETO ANTES MESMO DO TRILHOS INDEPENDENTES

A famosa “Universidade de Cinema e os estudantes de cinema”. Perfis diversos e personalidades bastante fortes. Eu tinha 18 anos. O meu começo foi parecido com o de vários colegas que tenho. Um jovem ator em busca de oportunidades com a galera do cinema.

Por incrível que pareça, o sonho de trabalhar com cinema, produzir e dirigir filmes nunca foi meu guia. O que eu realmente queria era atuar e só. As coisas mudam tão rápido…

Logo no primeiro mês de curso, fiz novos amigos e inventamos de produzir um documentário em Curitiba sobre amigos de infância. O Bruno Rodrigues, que já trabalhava com audiovisual na época, foi o primeiro a embarcar nas minhas loucuras e colocar fé em mim. Nem chegamos perto de terminar o Doc., mas foi o início de um grande aprendizado. Para ser sincero, eu não fazia ideia do que estava fazendo!

Os meses foram passando e consegui convencer o Bruno a entrar em mais alguns projetos comigo, produzimos um curta-metragem chamado Caixa Postal, um roteiro maluco que escrevi em uma madrugada. Foi massa e a turma começou a me levar mais a sério depois dessas produções.

O motivo da piada comigo era porque eu filmava tudo, as plantas, o meu cachorro e o que visse pela frente. Não era mentira, mas eu estava praticando todos os dias e aos poucos fui evoluindo, diferente dos demais que só criticavam minhas movimentações. Inclusive, foi filmando meu cachorro e minhas memórias, que o clipe do Brad aconteceu.

Durante esse processo, minha vida foi direcionada para uma intensidade enorme de produções independentes, recebi convites de projetos, trabalhei em alguns filmes, fiz alguns freelas e a vida seguiu em paralelo com minha carreira como ator. Foi uma maneira excelente de trabalhar e ocupar a cabeça nessa jornada torturante para ser um artista reconhecido. Outra hora, eu escrevo sobre isso.

Minha 1ª Câmera

Um amigo do meu pai, me emprestou uma grana para comprar uma câmera. Pronto, era tudo o que eu precisava! Até então, tinha que emprestar dos amigos para conseguir produzir alguma coisa e era sempre um saco, ninguém queria emprestar e muito menos participar das produções.

Kabbalah – O Filme

Agora que eu tenho uma câmera, vamos produzir um longa metragem?! Como se fosse fácil, né? Aí convenci a Paulinha, uma parceira minha da faculdade para me ajudar e vááários atores para atuarem no filme sem cobrar nada. É só nas aventuras que descobrimos que existem vários loucos como nós no mundo, né? Bom, na pós-produção, o meu grande irmão Gustavo Andriewiski para salvar as cagadas que eu fazia com o áudio e criar trilhas originais maravilhosas, foi durante esse filme que tive o insight sobre cantar Rap também, outra hora eu te conto essa história!

 

Foram 3 meses para pré-produção, produção e pós-produção. Por que? Porque eu inventei de fazer esse filme com os dias contados para ir embora para Los Angeles. Saudades dos meus 19 anos.

Olha, na época todos nós adoramos o filme porque ele tinha um significado especial, sabe? Era uma mensagem tão bonita e foi feito com muito amor e carinho. A Kabbalah surgiu na minha vida e a filosofia me agradou tanto que originou o filme. Hoje, meus pensamentos mudaram bastante em relação a tudo o que expressei em 2010, mas o importante foi a experiência e o aprendizado que conquistamos.

O filme estreou no Rio e participou do Festival Internacional de Verão do Rio Grande do Sul. Quando comecei a melhorar a qualidade dos meus filmes, quis esconder o Kabbalah, não publiquei em nenhuma mídia social. Anos depois descobri que alguém pirateou o filme e postou no Youtube e muuuuita gente assistiu.

A VIAGEM POR 27 PAÍSES

 

Tive a oportunidade de fazer um curso em Los Angeles na New York Film Academy durante o verão de 2010 – 2011.

Ao desembarcar nos Estados Unidos muita coisa aconteceu e vou compartilhar essa jornada completa com você no livro “A Saga de Um Contador de Histórias”, em breve. Se quiser curtir a série, clica aqui! 

Na minha turma, conheci a fotógrafa Rozette Rago, hoje uma grande amiga e a responsável por uma mudança gigantesca na minha vida. Ela me convidou para ir dirigir uma novela nas Filipinas, pois já trabalhava na televisão local da capital Manila e estava segura que conseguiria me encaixar em um trabalho por lá.

Doce ilusão, chegamos lá e o trabalho acabou não acontecendo. Um choque para todos e uma decepção enorme. Fazer o que, né? Quantas vezes não alimentamos expectativas antes mesmos da solidez dos acontecimentos?

 

E lá estava eu, do outro lado do mundo, sem saber direito o que fazer. Sem grana e com muita vontade de fazer as coisas acontecerem. Meus pais conseguiram financiar um apartamento no meu último ano no Rio de Janeiro em 2010 e o pagaram durante 1 ano. Mesmo sabendo que ficaria sem lugar para morar quando voltasse, consegui convencê-los de que o melhor a se fazer era vender aquele ap.

Com a minha câmera na mão e com a missão de realizar um filme em cada país percorrido, sem planos, deixei a vida me levar literalmente e fui encontrar histórias inesquecíveis para contar.

Os países percorridos

 

Países percorridos em 2011: Estados Unidos, Filipinas, Cingapura, Indonésia, Malásia, Tailândia, Vietnã, Laos, Camboja, Nova Zelândia, Austrália, Hong Kong, China, Japão, Inglaterra, Holanda, Alemanha, República Tcheca, Hungria, Áustria, Croácia, Eslovênia, Itália, França, Espanha, Portugal e Brasil.

A PRODUÇÃO

A ideia era estar aberto à novas possibilidades e não travar os filmes com roteiros pré-definidos. Quando chegava aos novos lugares, deixava que a história acontecesse. Era como se eu fosse um receptor de ondas de rádio em busca de novas frequências. O que faria diferença seria a minha sensibilidade para receber os presentes do universo.

Trabalhei com atores voluntários, não atores, e com quem quisesse participar dos projetos. A missão precisava ser cumprida de alguma forma e a fluidez dos acontecimentos me ajudou em todos os sentidos.

O que eu tinha de equipamento? Você não vai acreditar: uma câmera Canon T2i, 1 lente 18-55mm 5.6, 1 lente 100mm 5.6 e 1 iPod. Não tinha tripé e nem microfone.

Lembra do projeto antes mesmo do Trilhos Independentes? Hoje em dia é muito comum com o avanço da tecnologia, vermos profissionais seguindo esse mesmo caminho que trilhei em 2011, mas no começo dessa modalidade, pratiquei muito e nunca mais parei. Foi uma das melhores escolhas que fiz na minha vida.

Durante a jornada de 365 dias em 2011 produzi 7 curtas metragens, uma exposição fotográfica, 2 séries e ainda consegui aprender a falar francês e fazer muitos amigos.
trilhos-independentes-posterFoi uma viagem transformadora!

Quer assistir tudo? Vem!

OS FILMES

Selecionei 7 filmes para a Mostra do Trilhos Independentes. Juntos eles totalizam 60 minutos.

A CHEGADA AO BRASIL

Ao chegar no Brasil no começo de 2012, pensei que seria tudo lindo e fácil, afinal eu havia me transformado em um cineasta internacional, né? Sim e não. O meu status atual da época era: desempregado, com o HD cheio de arquivos e com a conta do banco zerada.

O pior foi que eu convenci o Chris, um grande amigo que conheci em Cingapura, no início da jornada, para largar tudo e ir morar no Brasil porque eu conhecia todo mundo e estava tudo pronto para tirarmos onda. Coitado, ele veio e o que nos restou foi pedir abrigo na casa dos meus pais.

 

Ficamos alguns meses no Rio de Janeiro e em Curitiba. É claro que vivemos momentos felizes, mas a fase foi triste, tenho que confessar. Isso fortaleceu nossa amizade, ainda bem!

Continuei guerreirão e entendi que precisava transformar todos os meus filmes e fotografias do HD em projetos. Era essencial criar projetos, tentar vendê-los, fazer com que as pessoas assistissem, né?

Eis que começa uma nova jornada, desconhecida para mim, até então.

Organizar e escrever um projeto? Como? O que preciso fazer? Como começar? Minhas noções eram limitadíssimas em relação a isso. Bora perguntar para os conhecidos, para o Google, e começar. Passei 6 meses, mais ou menos, em 2012 editando e finalizando os filmes que se transformaram no Projeto Trilhos Independentes. Voltei para a casa dos meus pais e confesso que voltar depois de anos fora pareceu um retrocesso. Hoje eu entendo que passos para trás são totalmente necessários, é só assim que conseguiremos saltar para frente.

AS APRESENTAÇÕES E PALESTRAS

Assim que finalizei os filmes e a arte de apresentação do Trilhos Independentes me transformei em uma metralhadora de e-mails. Assim que comecei a Universidade já fazia um trabalho ingênuo de networking sem saber a importância disso, mas foram noções essenciais para o meu desenvolvimento. Buscava contatos de diretores e profissionais da indústria no Facebook procurando por seus nomes nos créditos dos filmes do Vimeo e Youtube. Deu certo demais, conheci muita gente legal assim.

Não foi diferente com o processo de exibição do Trilhos, procurei os maiores festivais de cinema do mundo e também os menores. Enviei e-mails para mais de 2.000 pessoas diferentes e o meu retorno foi maravilhoso. A conversão foi maior do que 25% e cheguei ao ponto máximo do projeto onde precisei recusar convites de palestras e apresentações.

A ORIGEM DO IHC

Essa história é massa, foi quando minhas viagens para apresentar e palestrar sobre cinema independente de baixo orçamento começaram que a oportunidade de empreender apareceu. Lembra do Chris? Que veio ao Brasil comigo? Nossa ideia era começar uma escola de cinema em Curitiba e juntos chegamos ao nome de International House of Cinema.

O IHC começou com a ideia de ser uma escola, depois é que a produtora começou a ganhar mais espaço e ser o principal serviço da empresa. Realizei apresentações, palestras e workshops com o Trilhos Independentes em mais de 10 países e decidi voltar, afinal glamour só paga o nosso ego e não as nossas contas! Hehe…

 

Quer conhecer a história toda? Clica aqui nesse post!

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#TrilhosIndependentes #LuccasSoares #InternationalHouseOfCinema

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Author

Luccas Soares é diretor de cinema, ator, empresário, cantor e compositor. Proprietário da International House of Cinema no Brasil e um viajante por natureza.